fevereiro 6, 2017 -

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Saudações, treinadores e treinadoras desse Brasil varonil!

Meu nome é Evandro Xoxim e hoje estamos aqui para comentar sobre alguns segredos que as Cartas de Pokémon TCG possuem. Não é nada “oculto”, ou que manifestam uma mensagem apocalíptica e muito menos algo parecido com o som do disco da Xuxa tocado ao contrário.

Ok. Acomode-se para descobrir esses pequenos segredos, mas antes, tracemos um pequeno paralelo com os jogos para Game Boy, Nintendo DS e afins.

Os vídeo games de Pokémon podem proporcionar uma dimensão e interação profundas entre o jogador e o jogo em si. O storytelling (o desenvolvimento e o narrar de uma história) funciona de uma forma relativamente fácil para esse tipo de mídia – afinal, você tem uma missão a cumprir, objetivos já definidos dentro daquele mundo. A personalidade e o diálogo entre seres humanos e Pokémon faz também com que você se apegue e crie simpatia por determinados personagens ou Pokémon. Mas como é possível traduzir isso para um jogo de cartas?

Quando falamos de TCG, há uma preocupação relativamente menor quanto à questão estética. Essa preocupação, apesar de se manter para colecionadores, caí drasticamente quando falamos de jogadores competitivos. Quem é o Pokémon na carta, ou o personagem estampado no Apoiador, não são tão importantes quantos os efeitos em si. Por exemplo, você pode ser o maior fã do Cheren, Tierno e Steven, mas sinto em lhe informar que essas cartas nunca estarão na decklist de um campeão mundial, muito provavelmente nem mesmo de um regional.

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Ainda assim, há muitas histórias contadas nas artes das cartas. Eventos que permitem a sua imaginação fluir sobre os acontecimentos vistos na estampa ilustrada. Essas são as chamadas Cartas Narrativas, que podemos definir de forma objetiva como sendo: duas ou mais cartas que contam uma pequena história para sua mente desenvolver algo mais.

Digamos que além de curiosidades interessantes, elas também permitem que você brinque com sua própria criatividade. Isso é benéfico, pois mostra uma preocupação maior em tornar o jogo atrativo de diversas formas. Eu mesmo já contei, mostrei e dei muitas dessas cartas para alguns jogadores da categoria júnior e seus pais. É incrível como ambos parecem se aproximar e se interessar muito mais pelo jogo quando contamos, complementamos ou inventamos essas histórias.

Talvez, com você vendo as imagens tudo fique mais claro. Então vamos lá.

A primeira vez que eu percebi essa linha narrativa foi com as minhas cartas Chikorita, Bayleef e Meganium da coleção Heart Gold & Soul Silver:

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Olhando atentamente, podemos perceber que há uma ordem cronológica de eventos. A Chikorita saindo de New Bark, pequena cidade de seu treinador, onde podemos ver ao fundo da carta o laboratório do Professor Elm. O tempo passa e quando em Ecruteak (podemos observar a Bell Tower logo atrás, no cenário) percebemos que pequena Chikorita atingiu sua evolução. Por fim, no Indigo Plateau (o portal no fundo do cenário é inconfundível) vemos a forma final, Meganium, sorrindo e possivelmente se preparando para enfrentar a Elite dos 4.

Cabe a imaginação de cada um, mas para mim é certo que foi uma longa jornada na qual o treinador da pequena Chikorita chegou ao momento derradeiro. Hora de enfrentar a elite dos 4 para completar o seu sonho. (Todos os meandros dessa trama, os perrengues, desafios e momentos felizes dessa jornada podem ser desenvolvidos por você – por que não escrever uma fanfic disso?).

Um ilustrador que parece ter gosto por esse tipo de Cartas Narrativas é Akira Komayama. Sua ilustração de carta narrativa mais evidente é a do Charmander, Charmeleon e Charizard da coleção XY – Gerações (Generations/Radiant Collection):

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As cartas narram o desenvolvimento de um treinador e seu Pokémon. A ilustração da carta do Charmander parece nos mostrar um garoto nerd e atrapalhado em conjunto com seu Pokémon brincalhão e que lhe roubou os óculos. Quando evoluído para Charmeleon, ambos parecem estudar para se tornarem mais fortes (não só em questão de poder e nível, mas também no quesito amizade), finalizando com a última imagem de um Charizard poderoso e protetor de seu treinador e amigo. A sua imaginação pode ir além e dizer que ambos estão em uma jornada desde a primeira ilustração com o garoto saindo de sua cidade natal para se tornar um treinador.

Akira também foi responsável pela ilustração do Meowth e Inkay da coleção XY – Céus Estrondosos (Roaring Skies):

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Na primeira ilustração, vemos o Meowth feliz da vida (refletindo o nome de seu primeiro ataque), cantarolando e tudo o mais por ter seu almoço ou café da manhã assegurados por uma deliciosa Berry (Parece ser uma Occa Berry). No canto direito, na mesma ilustração vemos um Inkay observando a cena.

Na ilustração seguinte do Inkay, o mesmo está com a Berry em mãos fugindo do Meowth machucado. Podemos dizer que o Inkay enganou (dado o nome do seu primeiro ataque) e roubou a berry do Meowth. Se quiser você pode até dizer que o Meowth tropeçou nas plantas onde seu pé direito iria pisar. Cabe você decidir tanto essa opção do que aconteceu, quanto os motivos disso ter acontecido.

Há também as ilustrações do Charmeleon e Swablu da coleção BW – Legendary Treasures:

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Na primeira ilustração do Charmeleon, vemos tanto ele quanto Swablu se preparando para comer algumas Berries que caíram da árvore (ou que talvez o próprio Swablu tenha derrubado). Sem intenção, o rabo em chamas do Pokémon de Fogo pousa sobre a asa esquerda do amigo.

Na ilustração seguinte, Swablu dá um salto/voo de dor ou fúria, dada as “fumacinhas” em sua cabeça, enquanto o Charmeleon fica ao longe com uma expressão que diz “foi um acidente”.

Além dessas, há também mais uma sequência de cartas narrativas ilustradas por Akira Komayama. Essas em específico foram um pouco mais ousadas, já que ambas foram lançadas em coleções diferentes uma da outra. Primeiramente com a Chikorita da coleção XY – Turbo Colisão  (BREAKpoint) e em sequência a Fennekin da coleção XY – Fusão de Destinos (Fates Collide).

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Na carta da Chikorita vemos um portal dimensional aberto no chão. Do outro lado há Fennekin em um ambiente tecnológico com muitos prédios ao redor. É portanto, o total oposto ao cenário em que a Pokémon de Planta se encontra, uma floresta com diversos cogumelos perto das raízes e troncos.

Na ilustração da Fennekin, ambos os Pokémon estão correndo juntos no ambiente mais urbano/tecnológico. Podemos dizer que Chikorita atravessou o portal para a cidade tecnológica e dali se desenvolveu uma grande amizade entre ambas.

Essas são algumas das Cartas Narrativas que encontramos em Pokémon TCG. Na próxima publicação, trarei o restante delas. Cabe lembrar também que há certas cartas que apenas possuem o mesmo cenário ao fundo enquanto o Pokémon apenas evolui. Obviamente existe uma identidade visual por trás de quase todas cartas e isso proporciona uma correlação um pouco mais fraca, mas ainda assim visível. Se pegarmos por exemplo a coleção Sol & Lua temos, aparentemente, as seguintes cartas que estão no mesmo cenário:

Chinchou e Lanturn

Chinchoulanturn

Zubat, Golbat e Crobat

zubatgolcro

Alolan Grimer e Alolan Muk

grimermuk

Não podemos dizer que elas são propriamente narrativas, mas toda a coleção condiz exatamente com o cenário proposto para o continente de Alola. Essas referências sempre existirão.

De qualquer forma, há muitas outras – além das cartas narrativas – que possuem certos Easter Eggs (alguns elementos escondidos e curiosos). Talvez a própria Chikorita, Bayleef e Meganium da Heart Gold & Soul Silver sejam cartas com um easter egg do que propriamente uma Carta Narrativa. Logo, esse será o foco da terceira parte dessas matérias. Em resumo, a próxima matéria trará o restante das Cartas Narrativas, com a terceira parte nos mostrando alguns easter eggs de outras cartas.

Por fim, se é que você precisa de um motivo para saber ou conhecer essas pequenas histórias, eu lhe diria o seguinte: esse é o nosso jogo. Conhecer os detalhes dele o torna ainda mais especial. Pode ser que algum dia você simplesmente pare de jogar pelos motivos que lhe convém. Independentemente disso, suas experiências, as amizades e o tempo de diversão gasto com Pokémon TCG sempre fará dele o seu jogo. O nosso jogo. Nunca é tarde ou cedo demais para sacar o seu deck (seja lá de qual coleção ele for) e jogar uma partida.

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Um grande abraço, do seu amigo Xoxim.
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