setembro 4, 2015 -

Esta é uma história sem fins lucrativos criada de fã para fã. Todos os personagens relacionados ao universo Pokémon citados no texto são marcas registradas da Nintendo. Saiba mais

fanfic eevee

Por Erivelton Freitas

Seus olhos miravam insistentes o brilho platinado da lua cheia naquela quente noite de verão. As íris acastanhadas refletiam em seu interior a luminescência vinda do imponente astro sobre si. A noite estava mais estrelada do que de costume, e ele poderia jurar que já havia visto pelo menos uma ou duas estrelas cadentes.

Sempre que tinha tal impressão, ele fechava os olhos, desejando poder se tornar um treinador melhor do que já era — tendo em vista seus últimos e frustrantes fracassos em batalhas Pokémon que tivera por aqueles dias, colocando não somente a saúde e bem-estar de seu Pokémon em risco, como suas próprias habilidades em xeque.

Um suspiro cansado emergiu de seus lábios como um bafejo. Sentia-se exausto, derrotado — e sua confiança em seu talento, antes tido como nato, já não era mais tão notável por seus amigos e pessoas próximas como costumava ser antigamente. Talvez estivesse perdendo o dom, ou fazendo algo de errado que ele mesmo ainda não havia notado.

Contudo, seja qual fosse a origem do problema, ele teria que encontrá-la e dar um jeito de resolvê-la o mais rápido possível. Não para satisfazer seu ego em crise, mas sim para proteger o seu amado Pokémon, que esperava fielmente por cada um de seus comandos quando enfrentava um adversário — e a cada movimento ordenado de forma errada, era o mesmo que levava todo o prejuízo.  

Fechou os punhos e crispou o cenho ao sentir a raiva que lhe tomava o ser, não somente por ver seu Pokémon sendo derrotado, mas por ter que levá-lo ao Centro Pokémon o mais rápido possível, temeroso pelos seus ferimentos e estado de saúde. Era de lá que havia chegado há pouco, antes de sua mãe lhe mandar tomar um banho e trocar as roupas sujas enquanto aguardava o jantar.

Um brilho lacrimoso podia ser notado em seus olhos naquele instante, enquanto ainda se punia severamente em seu interior pelos acontecimentos recentes. Não havia muito o que se fazer — e a culpa ardendo em seu peito, fazendo seu coração palpitar mais forte, lhe fez abaixar a cabeça, deixando que farta franja de fios castanhos lhe cobrisse parcialmente o rosto. Foi somente nesse instante que deixou que as lágrimas rolassem pela pele alva de suas bochechas.

Ele não soube quanto tempo ficou ali, se deixando tomar por aqueles sentimentos negativos, tendo como testemunhas de sua dor somente o gélido vento noturno e a imensidão escura da noite estrelada, mas logo pequenos e sutis passos vindos em sua direção puderam ser ouvidos por ele. Ao perceber essa aproximação, limpou rapidamente os olhos e o rosto com as costas do braço. Seja quem for que estivesse vindo em sua direção, ele não permitiria que o visse da forma em que estava.

EeveeTerminado, olhou para o lado no intuito de conferir quem é que havia chegado, e ainda com os olhos marejados e a face ruborizada, ele notou a chegada de seu Pokémon. Os olhos negros como a própria noite, a expressão serena e gentil que ele sustentava. O pelo marrom e branco que era tão típico dele e as orelhas prontamente erguidas, como se tentassem ouvir melhor o que estava acontecendo. Ali estava o seu pequeno e amado Eevee, o Pokémon que não era somente o seu parceiro de todas as horas e companheiro em suas aventuras: era também o seu melhor amigo. Mesmo que ainda estivesse um pouco abatido, ele se permitiu sorrir um pouco ao notar a presença do outro ali consigo.

Estendeu o braço, como num chamado mudo para que seu fiel amigo se juntasse a ele naquela varanda, onde poderiam continuar apreciando os sons e as cores da penumbra noturna. Eevee, embora desconfiado e um tanto receoso devido ao estado em que havia encontrado o seu treinador, correu sem pensar duas vezes para o braço do rapaz, subindo em suas coxas e assim deixando-se acariciar pelo toque gentil de seu dono.  

— Eevee… — começou, chamando a atenção do Pokémon e buscando em seu íntimo pelas palavras certas para usar. — Eu sinto muito por tudo… Foi minha culpa você ter se machucado hoje… Eu fui um treinador descuidado e por isso você se feriu. Me perdoe!

Não aguentou, começando a derramar-se em prantos novamente — e agora as lágrimas escorriam com muito mais abrangência pela pele clara, caindo como pequenas gotas de chuva a molhar o pelo sedoso do Pokémon. Eeveesomente o observava, sem se mover ou pronunciar absolutamente nenhum ruído sequer.

— Minha determinação e ambição por vencer te colocou naquela situação. Eu estava cego e nervoso, e tudo o que eu queria era a vitória, pois eu desejava aquilo. Eu acabei então negligenciando o que deveria ser o mais importante pra mim, o que realmente deveria vir em primeiro lugar… — ergueu o semblante, mirando o Pokémon em seu colo ainda com os olhos transbordando lágrimas e com a visão desfocada devido às mesmas. — Você!

Ao declarar isso, finalmente sorriu. Eevee sentiu-se feliz e animado ao ouvir aquilo. Sua cauda movia-se freneticamente de um lado para o outro, conforme um forte sentimento de alegria crescia dentro de seu interior e fazia pulsar mais fortemente o seu pequeno e inocente coração.  

O Pokémon então levantou-se num pulo e saltou sobre o tórax de seu treinador, lambendo sem hesitar as lágrimas que ainda corriam pelo seu rosto. O rapaz apenas ria com o carinho não calculado de seu amigo e o abraçou delicadamente, sentindo a maciez do pelo, o calor do corpo de seu bichinho e as amigáveis lambidas que lhe faziam cócegas próximas ao queixo.  

A lua ainda brilhava imponente no céu por aquela noite e seus raios caíam por sobre a terra, varrendo as florestas e planícies com o brilho prateado que deixava toda a visão do ambiente mais iluminada e nítida, mesmo na dominância da escuridão.

Esses mesmos raios de luar também iluminavam a varanda onde aquele garoto e seu Pokémon renovavam seus fotos de confiança e amizade, fortalecendo assim o elo que os unia.  

De repente, um forte brilho começou a emanar de Eevee, o que não passou despercebido pelo seu treinador. O garoto viu incrédulo a luz branca ao redor de seu Pokémon começar a ganhar intensidade até se tornar quase cegante, a ponto de fazê-lo fechar os olhos por não suportar vê-la com tal proximidade. Ele conseguia sentir rente ao seu corpo o calor que aquela luz emanava, e também sentia seu Pokémon começar a crescer, como se o tamanho e a forma dele estivessem sendo alterados pela força daquela luz tão intensa como o próprio luar.  

UmbreonLogo ela se findou e, ao abrir os olhos para ver o que ocorria, a surpresa de ver diante de si um Pokémon totalmente diferente do seu Eevee o abateu de imediato. Os olhos agora eram vermelhos como duas pedras de rubi. O pelo, antes abundante e farto, agora era curto e quase imperceptível ao toque. Os tons de branco e marrom deram lugar a um tom de preto extremamente escuro, com vários anéis dourados que se estendiam por todo o corpo daquele novo Pokémon — que, embora tivesse uma forma diferente, não deixara de ter a alma e o coração de seu velho e conhecido amigo.   

— Eevee… Eu… — o sorriso alargava-se em seu rosto conforme constatava o que realmente havia ocorrido. — Você evoluiu para Umbreon. Não acredito, você evoluiu mesmo! — ditava mais para si mesmo do que para o próprio Pokémon, que permanecia à encará-lo alegre, com a cauda, agora mais curta, ainda balançando de um lado para o outro.

O Pokémon grunhiu um som parecido com a denominação que lhe davam, e recebeu então mais um abraço.   

— Umbreon, eu prometo que sempre vou te colocar em primeiro lugar a partir de hoje. Nunca mais vou deixar você se machucar! Te prometo também que treinarei arduamente para melhorar minhas estratégias e impedir que você perca — dizia ele com bastante empolgação e euforia, sentimento esse que era mútuo para o recém-evoluído Pokémon.

Ouviu sua mãe chamá-lo para o jantar que já estava servido e, terminando de enxugar as últimas lágrimas em seu rosto, correu para dentro da casa acompanhado de Umbreon, pois estava ansioso para mostrar seu novo/velho amigo para todos.

 

***

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  • Erivelton Freitas

    Uhuuh!!! Minha fanfic hahahaha. #Feliz! Ainda não acredito que ganhei =p! Mas beleza, to me sentindo importante agora! Quem sabe futuramente eu não mande outra =p

  • Bolha de sabão

    como mando uma fanfic?