setembro 13, 2016 -

Olá amigos e amigas. Se vocês já estão neste meio a um ano ou mais, já devem saber que este é um processo inevitável ao fim de cada temporada, e se vocês são novos, devem estar tristes por verem tantas cartas que gostavam partirem para o além. Mas, se pararmos para refletir um pouco sobre esta decisão, a mudança de formato não é de toda ruim. Sim, podemos, a primeira vista, achar arbitrária e injustificada, contudo, com mais tempo de jogo somos obrigados a rever esta posição e concordar com a TCPi. Todo ano, ao fim de cada temporada, somos levados a praticar o desapego, e perguntar porque tal carta ficou e aquela outra não teve reprint, sem uma resposta satisfatória para a questão.

Para que serve?

Vamos para a discussão prática e deixar a filosofia apenas no primeiro parágrafo, se possível. Cada bloco de coleções traz mecânicas diferentes, sejam inovadores ou repaginadas, e, com o tempo, elas se tornam desgastadas ou conflitantes com o jogo como um todo. Para ilustrar isso, convoco alguns Pokémon G da coleção Platinum. Estas cartas traziam Pokémon de grande utilidade técnica como o Crobat G, ele era Básico e gerava 1 Contador de dano sempre que era colocado da mão do jogador para o Banco, e junto com Sableye formaram uma dupla que aterrorizou muitos jogadores, com donks em mais de 50% das partidas.
 

A rotação também permite a reformulação de mecânicas antigas para os tempos atuais, como os Pokémon TURBO que são, praticamente, os Pokémon LV. X com um design levemente diferente, mas mecanicamente semelhante. Outra mecênica antiga reformulada foi a dos Pokémon ex que eram evoluções e passaram a ser Básicos, está sim, uma mudança drástica de gameplay. E não vamos parar por aí, isto também ajudou a estruturar o TCG para ser como nós o conhecemos, por exemplo, o limite da utilização de Apoiadores foi implementado só mais adiante no jogo, o que exigiu que estas cartas de treinadores viessem com o espaço indicando a categoria Apoiador e a quantidade de utilizações desta categoria por turno.

  

A limitação de coleções válidas no Formato Modificado também favorece a volta de cartas antigas com textos e utilizações diferentes sem gerar conflito de efeitos. Um exemplo? A Bola Mestra. Quando ela foi lançada, possuía o mesmo efeito da Grande Bola no formato atual, olhe as 7 cartas do topo do deck e escolha um Pokémon que encontrar entre estas 7 cartas. Já a última versão da Bola Mestra era uma classe chamada de ACE Spec e permitia que o jogador buscasse qualquer carta Pokémon no baralho, sem restrição, contudo, só poderíamos ter uma cópia de ACE Spec no deck todo. Ainda descrente? Busca Computadorizada manteve o efeito original, de descartar 2 cartas da mão e buscar 1 qualquer no deck, mas passou a ser uma ACE Spec também, logo, o impacto de se termos 4 Buscas Computadorizadas foi drasticamente reduzida.

      

Vale ressaltar também que Fraquezas, Resistências, Ataques e PS também sofreram ajustes ao longo desses 20 anos, em questão de valores e de texto no caso dos ataques, mais uma vez, impedindo mecânicas tóxicas ao formato. Uma das perguntas que alguns jogadores mais experientes se fizeram após o anúncio do reprint de cartas da Base Set foi “Energy Removal e Gust of Wind vão voltar?”, basicamente, Energy Removal é o equivalente ao Martelo Esmagador sem a dependência de uma Cara na moeda, ou seja, ao baixar a carta, instantaneamente o oponente descarta uma Energia, já Gust of Wind tem o mesmo efeito do atual Lysandre, mas é um Item, sem limite de uso por turno.

 

O que fazer com o que rotacionou?

Tirando os torneios que delimitam um formato específico, nada nos impede de usarmos as cartas em outros tipos de gameplay, como no Unlimited, no U150 (com algumas restrições), ou um for fun de fim de semana.

O fator colecionável também é interessante, algumas cartas podem se valorizar com o passar do tempo, além do fato de que algumas artes são muito bonitas, mesmo que o tempo passe elas continuarão ali para serem admiradas. Outro aspecto é a possibilidade de volta de cartas de treinador em futuras coleções, o que nos permite visitar a pasta e colocá-las em jogo, um diferencial estético e tanto, pergunte a quem tem suas Energias Duplas Incolores foil da Liga qual o motivo de ainda tê-las no deck. Ele vai ressaltar a beleza da carta para responder o seu questionamento.

Conclusão

Apenas reforçando a introdução deste texto, devo dizer que a rotação é inevitável, é implacável, mas não é o fim do mundo, é uma oportunidade para os novos jogadores e veteranos reavaliar as coleções e desenvolver novos decks e combos para voltarem aos tops e competições. Boa jogatina a todos, e nos esbarramos por aí.